domingo, 12 de abril de 2020

Feliz Páscoa!


A Cia. De Teatro Atemporal deseja para você uma FELIZ PÁSCOA! 
Que a verdadeira ressurreição aconteça dentro de você. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

O Teatro é Algo Sagrado


Muitos dizem que ser ator é uma profissão como outra qualquer, mas na minha opinião o teatro é muito mais do que isto é praticamente uma religião. A representação teatral surgiu nos rituais de exaltação ao Deus Dionísio.

Não podemos comparar a rotina de trabalho de um contador com a de um ator. Nos dois casos há muito preparo, estudo e dedicação, no entanto assim como os templos religiosos o teatro é uma forma de ritual, um lugar aonde as pessoas vão para aprender algo sobre o ser humano.

Os padres e pastores se desdobram para interpretar a bíblia aos fieis da igreja, seja pela comedia ou pelo drama, no intuito de manter a atenção dos discípulos e transmitir a mensagem da forma mais clara possível.

Já ouvi também relatos de peças que enquanto alguém do grupo não foi pedir “licença” para determinada entidade em um centro espírita a peça não vingou. Parecia até que a personagem, fruto da imaginação do autor, existia e estava exigindo mais respeito à sua imagem.

Apesar de hoje em dia as empresas tentarem conciliar lucro com responsabilidade social, o trabalho em uma sociedade capitalista como a nossa tem como objetivo principal o lucro, claro que nós trabalhadores das artes precisamos de dinheiro; ser ator é uma profissão, mas não como outra QUALQUER.

Escrito por audrey
Foto do espetáculo "Moses"

segunda-feira, 16 de março de 2020

Nelson Rodrigues não é pornográfico

Lucélia Santos em cena de estupro do filme Bonitinha, Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende (1981)

Por que na maioria das vezes quem monta alguma peça de Nelson Rodrigues opta pelo caminho mais comum de transgressão como, por exemplo, o nu? Os textos de Nelson já são fortes, contestadores e ousados o suficiente para os padrões de uma sociedade cristã como a nossa. Então porque não propor algo diferente do que todo mundo faz e atrair o publico conservador? Cenas “apelativas” só aumentam a opinião do publico, leigo em geral, de que em Nelson Rodrigues só há baixaria. Fazendo com que o drama, o conflito, o desespero das personagens e a mensagem fiquem em segundo plano.

Assisti tempos atrás a montagem de Doroteia do grupo das Dores; Doroteia é um texto repleto de metáforas, uma linguagem que beira o surrealismo, escrito na mesma época que surgia o teatro do absurdo. A atriz que representava a personagem titulo usava um vestido vermelho com fendas laterais – lindo- que já era o suficiente para diferenciar o perfil de Doroteia das demais personagens, pois todas as outras mulheres usavam roupas pretas que cobriam o corpo inteiro de uma forma bem recatada. Mas pelo visto o contraste dos figurinos não foi suficiente para o diretor. Porém aos poucos a atenção do publico foi transferida e o foco da peça deixou de ser uma mulher desesperada querendo ser aceita na família e passou a ser:

A atriz está usando ou não calcinha? Depois de uns passos mais largos que a atriz deu, foi possível a confirmação da ausência da roupa intima. Confesso que fiquei constrangida de ter me desligado do assunto principal da peça, mas por outro lado aliviada por ter sanado tal duvida. Voltei a prestar a atenção na peça, mas então uma vontade incontrolável de ver logo a cena que justifique o porquê da atriz estar sem calcinha surge e esqueço da trajetória de Doroteia e espero ansiosa a cena que justifique a falta da calcinha. Só que a cena não vem.

Não sou nenhuma puritana, mas acredito que tudo que este grande autor escreveu foi para trazer à tona a reflexão de tabus que até hoje são de delicadas discussões e não chocar por chocar. Vamos ter mais respeito à obra e propor soluções criativas porque o mais difícil o gênio já fez. Escreveu excelentes obras e levantou a discussão.

Escrito por audrey

segunda-feira, 2 de março de 2020

Palmas, se quiserdes bater!


Vejo muitos atores em entrevistas dizer: “sempre quis ser artista desde criança”; às vezes sinto um pouco de vergonha em falar, mas este nunca foi o meu pensamento. Nem o da minha família, afinal o sonho dos pais em geral é que seu filho seja um “Dr.” (médico, dentista, advogado). As mulheres até podem ser professora, mas devem se casar no mínimo com um engenheiro.

Foi a partir destes depoimentos que eu comecei a pensar porque eu gosto de fazer teatro. O que me atrai nele? A forma de comunicação, a possibilidade de propor uma reflexão, a chance de viver várias vidas ou o aplauso mesmo? Nem digo ganhar dinheiro, porque definitivamente são poucos os que ganham dinheiro vivendo da arte.

Adoro o frio na barriga minutos antes da apresentação; a expectativa de ver a platéia lotada, a responsabilidade de apresentar um bom espetáculo mesmo em um teatro com poucas pessoas, propor uma “viagem” ao público. Até relembrar os erros que houve durante alguma apresentação pra mim é prazeroso.

As crianças, apesar de que hoje em dia não só as crianças, se empolgam com o glamour da coisa, mas acredito que o teatro é uma ótima oportunidade de informar, entreter e contribuir com a sociedade. Sem contar com enorme conhecimento que adquiro a cada pesquisa para construção da personagem e montagem da peça.

Mas pensando bem se tudo isso vier em um teatro luxuoso, com letreiro luminoso piscante escrito - AUDREY, AUDREY, AUDREY - com um camarim cheio de flores, almofadas de veludo, champanhe e admiradores aos meus pés até que não é uma má idéia.

* William Shakespeare, Sonho de uma noite de verão

Escrito por audrey